quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Para compreender os Transtornos Alimentares, é necessário entender que, para o ser humano, o alimento não representa apenas um ”combustível”, pois apesar de ser fonte de energia e nutrientes, apresenta uma importante relação emocional e social, tornado-se o responsável direto pelo equilíbrio físico e mental, preservando ou restabelecendo a saúde .
A valorização e a atratividade da magreza em particular, fizeram com que o homem atual mudasse seu conceito de beleza, passando a valorizar um corpo cada vez mais magro, atlético, torneado, musculoso, ao contrário do corpo cheio de curvas do passado, tornado as conseqüências psicológicas da obesidade tão sérias quanto às conseqüências médicas, devido suas discriminações.
No entanto, junto com esse novo conceito de beleza surgiu o dilema: como ficar magro ou em forma com tanta disponibilidade de alimento ao redor?
Diante desta situação aumentou-se a incidência dos Transtornos Alimentares, que são definidos como desvios do comportamento alimentar que acometem, na sua maioria, adolescentes e adultos jovens (12 a 25 anos) do sexo feminino (90% dos casos), que podem gerar grandes prejuízos psicológicos, biológicos e aumento de morbidade e mortalidade.
Os principais tipos de transtornos alimentares são a Anorexia Nervosa, a Bulimia Nervosa e o Transtorno do comer Compulsivo, entre outros.
Apesar dos transtornos alimentares serem mais prevalente em mulheres, a incidência no sexo masculino está aumentando muito atualmente, pois alguns modelos mais masculinizados fizeram surgir atualmente uma nova doença chamada de Vigorexia, que consiste em uma obsessão pela atividade física exagerada, especialmente em academias. No entanto, apesar da Vigorexia ser predominante em homens, já estão sendo detectados casos de mulheres obcecadas por músculo.

Veja abaixo os principais transtornos alimentares:

 Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar, que tem início freqüentemente em razão de uma insatisfação, muitas vezes injustificada, com o peso e a imagem corporal, podendo provocar problemas psiquiátricos graves.
Devido à distorção da imagem corporal, a pessoa com anorexia tem como meta emagrecer, temendo não apenas ser gordo, mudando os tipos de alimentos da dieta, eliminando aqueles que julgam mais calóricos, e passando a praticar exercícios físicos, jejuar e utilizar laxantes e diuréticos de forma mais intensa.
Diversos fatores favorecem o aparecimento da doença: predisposição genética, o conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como símbolo de beleza e elegância, a pressão da família e do grupo social e a existência de alterações neuroquímicas cerebrais, especialmente nas concentrações de serotonina e noradrenalina.

Sintomas:

Perda exagerada de peso em curto espaço
de tempo sem nenhuma justificativa;
Recusa em participar das refeições familiares
(geralmente os anoréxicos alegam que já
comeram e que não estão mais com fome);
Preocupação exagerada com o valor calórico dos alimentos;
Interrupção do ciclo menstrual (amenorréia)
e regressão das características femininas;
Atividade física intensa e exagerada;
Depressão, síndrome do pânico, comportamentos
obsessivo-compulsivos,  mudanças no caráter
(irritabilidade, tristeza, insônia, entre outros);
Visão distorcida do próprio corpo, pois apesar
de extremamente magras, julgam-se com excesso de peso;
Excessiva sensibilidade ao frio;
Pele extremamente seca.

 Bulimia Nervosa

A bulimia nervosa difere da anorexia pelo peso normal, pois em uma pessoa bulímica a magreza não chama a atenção. Também não há o desejo incontrolável de emagrecer e a ausência dos ciclos menstruais não é marcante como na anorexia nervosa, bem como a distorção de imagem corporal não é intensa.
A bulimia nervosa tem como características principais a rápida ingestão de alimentos juntamente com a sensação de perda de controle, os chamados episódios bulímicos, acompanhados de métodos compensatórios inadequados para o controle de peso, como vômitos auto-induzidos, uso de medicamentos (diuréticos, inibidores de apetite, laxantes) e exercícios físicos intensos.
No entanto, as causas são as mesmas da anorexia. Entre elas destacam-se predisposição genética, pressão social e familiar e valorização do corpo magro como ideal máximo de beleza.

Sintomas:

Ingestão exagerada de alimentos em curtos
períodos de tempo sem o aumento
correspondente do peso corporal e, na maioria
das vezes, às escondidas;

Uso de laxantes e diuréticos indiscriminadamente;

Dietas severas intermediadas por repentinas
perdas de controle que levam à ingestão compulsiva de alimentos;

Distúrbios depressivos, de ansiedade, comportamento
obsessivo compulsivo, auto-mutilação.

 Transtornos do Comer Compulsivo

Atualmente existe uma terceira categoria comum de transtorno alimentar, o transtorno do comer compulsivo, que se caracteriza pelo consumo de grandes quantidades de alimentos e perda do controle, mas sem a “preocupação mórbida” com o peso e a utilização de métodos purgativos compensadores, como a indução de vômitos ou abuso de laxantes, como é visto na bulimia nervosa.
Nos EUA, é conhecido como “binge eating” (ou orgia alimentar), pois os episódios de comer compulsivo são freqüentemente no período da noite, quando outras pessoas não estão presentes para censurar.

Sintomas:

 Episódios freqüentes de ingestão alimentar excessiva;

 Ter o hábito de comer mesmo na ausência de fome;

 Alteração freqüente no peso;

 Comer sozinho ou escondido de outras pessoas, seguido de sentimentos de

 culpa, vergonha e raiva;

 Comer muito mais rápido que o normal;

 Comer até sentir-se desconfortável fisicamente;

 Ingerir grande quantidade de comida, mesmo estando sem fome;

 Normalmente com histórico de fracassos em diversas dietas e regimes para emagrecimento;

 Normalmente são pessoas depressivas e obesas.

 Sentir-se culpado e/ou deprimido após o episódio.

 Síndrome do Comer Noturno

Também conhecido como compulsão alimentar noturna, este transtorno alimentar está freqüentemente ligado a um estilo de vida estressante e suspeita-se que esteja relacionado aos desequilíbrios de hormônios secretados durante o sono, pois é caracterizado pela falta de apetite pela manhã e grande ingestão de comida durante a noite, além de insônia, ou seja, é uma combinação de transtorno alimentar com uma desordem de sono e de humor. 
É um transtorno que pode levar à obesidade pela alta ingestão calórica devido as quantidades e qualidades de alimentos consumidas e até mesmo pelo horário.Estes episódios podem ocasionar restrições e desequilíbrios nutricionais com períodos de jejum durante o dia, fortalecendo ainda mais o ciclo característico do Transtorno. Porém há pacientes que apresentam uma rotina alimentar normal durante o dia e tem surtos de fome durante a noite , estes geralmente apresentam um padrão de sono agitado, com despertares freqüentes durante a madrugada.


Tratamento com base nos princípios da nutrição funcional
 

Através de uma avaliação global do paciente, conhecendo todos seus antecedentes e identificando os gatilhos , a nutrição funcional com foco na individualidade irá orientar uma reeducação alimentar para buscar o equilíbrio fisiológico do organismo restabelecendo gradativamente as deficiências nutricionais . 
Estas deficiências trazem geralmente sérias complicações, que variam em grau de depleção protéica, de deficiências nos níveis de vitaminas e sais minerais, de desequilíbrio no balanço hidroeletrolítico e , essencialmente, do grau de desnutrição resultante de uma dieta inadequada e carente em energia.
A prescrição da dieta é feita cuidadosamente, para que os comportamentos alimentares inadequados possam ser alterados de forma gradual.
As crenças distorcidas a respeito de alimentação precisam ser desmistificadas.
O programa alimentar é dirigido para o ganho de peso pela reeducação alimentar para as anorexias e para a parada dos processos de compulsão alimentar periódica e compensações para as bulimias.
Geralmente estes pacientes são acompanhados por uma equipe multidisciplinar, ou seja, médico, terapeuta e nutricionista para que haja uma evolução satisfatória.
Sem dúvida nenhuma é fundamental que estes pacientes recebam o total apoio , compreensão e ajuda dos pais e familiares para garantir maior eficiência no tratamento

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